Estratégia de Braide de fugir dos debates revela temor a questionamentos sobre má administração da capital

Por que Eduardo Braide, que durante anos buscou os holofotes dos debates eleitorais, agora escolhe quais confrontos enfrentar?

O candidato Eduardo Braide (PSD) decidiu não participar do primeiro debate entre os postulantes ao Governo do Maranhão, promovido pela Band Maranhão no domingo (9). A justificativa apresentada foi priorizar o debate da Globo, sob o argumento de maior audiência. A decisão contrasta com sua postura nas disputas anteriores pela Prefeitura de São Luís, quando participou dos confrontos e chegou, inclusive, a buscar judicialmente espaço em debates.

A mudança de comportamento ocorre justamente quando o ex-prefeito precisa explicar ao eleitor maranhense o que deixou como legado depois de comandar São Luís por mais de cinco anos.

E OS QUESTIONAMENTOS NÃO SÃO POUCOS

Na área da saúde, o Hospital da Criança tornou-se um dos principais pontos de tensão. O Ministério Público instaurou procedimentos para investigar óbitos registrados na unidade e o contrato com o Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED). O Tribunal de Contas do Estado também determinou auditoria nas UTIs pediátricas. É fundamental registrar: investigação não significa culpa, e a própria prefeitura sustenta que a unidade funciona regularmente.

Mas a existência de investigações formais torna inevitável a pergunta: quem governava São Luís quando essas decisões administrativas foram tomadas?

Outro ponto é a transparência. O Ministério Público Federal recomendou mudanças nos mecanismos de transparência dos contratos da saúde de São Luís, cobrando informações mais detalhadas sobre custos, metas, resultados e repasses.

E HÁ AINDA A COMUNICAÇÃO

Durante a administração Braide, os gastos com publicidade e marketing chamaram atenção. Levantamento publicado pela imprensa, com base no Portal da Transparência, apontou mais de R$ 17,4 milhões gastos em campanhas publicitárias e ações de marketing em dois anos e meio, sendo mais de R$ 12,7 milhões destinados a uma agência nos anos de 2021 e 2022. A própria Controladoria-Geral do Município determinou esclarecimentos da Secretaria de Comunicação sobre esses gastos.

O problema, portanto, não é existir comunicação institucional, toda prefeitura precisa dela. O problema é saber se a propaganda foi proporcional à entrega dos serviços públicos.

Braide também deixou uma série de anúncios grandiosos. Em março, pouco antes de deixar o cargo, sua administração anunciou um pacote de R$ 1,6 bilhão em obras e serviços.

Agora, diante dos questionamentos que surgem, o eleitor tem o direito de perguntar: quanto foi efetivamente entregue, quanto custou e quais resultados ficaram para a população?

É aí que os debates fazem falta.

Porque vídeo produzido para rede social permite escolher cenário, roteiro, enquadramento e mensagem.

DEBATE É DIFERENTE

No debate, o candidato não escolhe a pergunta. Não controla o adversário. Não pode editar a resposta. E precisa explicar, diante de milhões de maranhenses, aquilo que fez quando teve a caneta na mão.

Braide tem todo o direito de escolher sua estratégia eleitoral. Mas o eleitor também tem o direito de interpretar essa escolha.

E a interpretação é inevitável: quando um candidato pretende governar o Maranhão, mas evita o confronto justamente quando precisa prestar contas sobre sua passagem pela Prefeitura de São Luís, a ausência deixa de ser apenas uma decisão de campanha e passa a levantar suspeitas políticas.

Não estamos dizendo que todas as denúncias contra a gestão Braide são verdadeiras. Muitas ainda estão sob investigação. Tampouco há base para afirmar que sua administração foi uma “fachada”.

Mas existe algo que ninguém pode apagar com propaganda: há contratos sendo questionados, auditorias sendo determinadas, recomendações de órgãos de controle, problemas administrativos e promessas que precisam ser confrontadas com os resultados apresentados.

E isso deveria ser matéria-prima para qualquer debate eleitoral.

Braide quer governar os 217 municípios do Maranhão.

Antes disso, precisa estar disposto a explicar, sem edição e sem roteiro, como governou São Luís.

A cadeira vazia da Band não responde às perguntas.

Mas certamente aumenta a vontade do eleitor de fazê-las.

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