A Prefeitura de São Luís divulgou, nesta terça-feira (14), dados oficiais sobre os óbitos registrados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Hospital da Criança Odorico Amaral de Matos que apresentam um total superior ao número informado em reportagem da TV Mirante. As informações foram publicadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus) em resposta à matéria exibida pela emissora.
De acordo com a nota da prefeitura, foram registrados 86 óbitos em 2024 e 79 em 2025, totalizando 165 mortes no período analisado. Os números oficiais diferem dos apresentados pela reportagem da TV Mirante, que informou a ocorrência de 140 óbitos, sendo 39 em 2024 e 101 em 2025.
Ao contestar os dados divulgados pela emissora, a administração municipal afirmou que a reportagem apresentou informações incorretas. No entanto, os números divulgados pela própria prefeitura indicam um total de mortes superior ao informado pela TV Mirante, ainda que a distribuição entre os dois anos seja diferente.

A divulgação ocorre em meio à repercussão das denúncias envolvendo o Hospital da Criança. A reportagem da TV Mirante foi alvo de críticas após a publicação dos dados, especialmente depois que o ex-prefeito Eduardo Braide utilizou as redes sociais para contestar o conteúdo exibido pela emissora.
Paralelamente, o Ministério da Saúde instaurou uma auditoria no Hospital da Criança Odorico Amaral de Matos para apurar denúncias de possíveis falhas no funcionamento das UTIs pediátricas. A inspeção é realizada pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS), que analisa prontuários, escalas de profissionais, contratos, indicadores de mortalidade e demais documentos relacionados ao funcionamento da unidade.
Além da auditoria federal, as denúncias também são investigadas pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), pelo Ministério Público Federal (MPF) e por outros órgãos de controle. Entre os casos sob apuração está o da menina Kerliane, de 7 anos, cuja família afirma que houve demora no diagnóstico e no tratamento de uma infecção que evoluiu para um quadro grave. Outros óbitos registrados na unidade também fazem parte das investigações.
Profissionais ouvidos pelos órgãos fiscalizadores relataram que, após mudanças na gestão das UTIs, teria ocorrido redução no número de médicos plantonistas, além de problemas estruturais e dificuldades no atendimento. As denúncias também incluem relatos de falta de insumos, falhas em procedimentos de emergência e possível atuação de profissionais sem especialização em pediatria.
A Prefeitura de São Luís nega as irregularidades e sustenta que as UTIs operam dentro das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A administração municipal afirma que todos os óbitos são regularmente notificados aos sistemas oficiais, que não houve aumento significativo na mortalidade e que o contrato de gestão das UTIs foi firmado de forma regular.
Ao término da auditoria, o DenaSUS deverá elaborar um relatório técnico com as conclusões da inspeção. O documento poderá subsidiar eventuais medidas administrativas e contribuir para as investigações em andamento. Até o momento, não há conclusão oficial que estabeleça relação entre os óbitos registrados e as denúncias investigadas.
