Araioses: Parece um cenário de guerra, mas é só má gestão e irresponsabilidade do prefeito Neto Carvalho

Quem precisa, e só por extrema necessidade, se obriga a entrar em Araioses hoje, testemunha, por todos os sentidos, o mais profundo abandono. O cartão de visitas para quem chega ao município é um cenário de destruição que remete a cidades devastadas por conflitos armados.

Eleito com a pomposa promessa de “transformar 40 anos em 4”, o prefeito Neto Carvalho caminha a passos largos para suceder o ex-prefeito Cristino no vergonhoso rol de piores gestores da história de Araioses. A apenas seis meses de atingir a metade do seu mandato, a realidade desmente o marketing: seus maiores feitos até aqui resumem-se a endividar o município pelas próximas gerações, perseguir servidores públicos e destruir o patrimônio dos munícipes.

A “Faixa de Gaza” araiosense e o rastro de crateras

Logo na entrada da cidade, a rua que outrora foi o cartão-postal do município, celebrada por suas árvores, palmeiras e iluminação, foi rebatizada pela própria população como “Faixa de Gaza”. E não adianta o motorista tentar escapar entrando pela contramão; o risco não compensa. Por toda a cidade, buracos e verdadeiras crateras desafiam condutores e pedestres, transformando o direito de ir e vir em uma gincana perigosa e humilhante para os araiosenses.

A rua Menino Jesus, que contorna a cidade e foi uma das primeiras a ser asfaltada há mais de dez anos, nunca mais recebeu uma única pá de asfalto. Seu estado intransitável é o espelho do que serão as atuais vias asfaltadas, em razão da difícil manutenção desse tipo de pavimentação urbana, quando não há planejamento.

O silêncio da Câmara de Vereadores

Como se a cidade materializasse um pedido de socorro a quem deveria fiscalizar e cobrar em nome da população, um buraco com um galho seco para sinalizar o perigo a transeuntes permaneceu suntuoso por meses, bem no meio da avenida Dr. Paulo Ramos, em frente à Câmara de Vereadores. Dos edis, vassalos do prefeito, nem uma palavra.

O prefeito, que sonha em fazer um aeroporto e prometeu ligar Araioses a Parnaíba por uma estrada atravessando a Ilha do Goiabal, sequer se dignou a dispor um saco de cimento nos buracos para acabar com o sofrimento e a vergonha dos araiosenses. A irresponsabilidade é tamanha que, somente após pressão do Ministério Público do Maranhão (MPMA), a prefeitura interditou três pontes — Chico Sabino, Igarapé do Meio e Zoador — em razão do precário estado de conservação e riscos iminentes de desabamento. A medida, emergencial, foi tomada para garantir a segurança de moradores e motoristas que trafegam diariamente entre os povoados João Peres e Santa Rosa. Passados quase dez meses, a situação é a mesma e piorando…

Propaganda enganosa ou lavagem de dinheiro?

Quem não lembra do famoso vídeo gravado às vésperas do aniversário de emancipação do município, com vários trabalhadores tapando os ditos buracos da entrada da cidade, enquanto a garota-propaganda anunciava seu fim. Pois é, a obra custou centenas de reais ao cidadão araiosense, mas não durou uma semana, os buracos já estavam lá e maiores…

Cofres cheios, obras alheias: onde estão os milhões de Araioses?

O que mais causa indignação nos bastidores políticos e nas ruas é o aspecto financeiro. Neto Carvalho recebeu a prefeitura com as contas rigorosamente em dia e os cofres abarrotados de milhões de reais. Apesar da bonança financeira, não há uma única grande obra realizada com recursos próprios da atual gestão em todo o município.

Uma radiografia das obras em andamento ou recentemente inauguradas revela a total dependência de entes externos e a ausência de investimento municipal:

As ruas asfaltadas na cidade foram viabilizadas com recursos do Governo Federal. A reforma do estádio municipal também é custeada pela União. A construção do posto de saúde do bairro Botafogo e a reforma de outras unidades de saúde vieram de emendas e programas federais. As reformas nas escolas municipais foram feitas com verba federal. O novo hospital que está sendo erguido no município é obra do Governo do Estado do Maranhão.

O caso da Praça da Juventude é ainda mais emblemático. Após receber quase R$ 15 milhões em recursos federais, o espaço foi completamente destruído por ordem de Neto Carvalho, que mandou raspar até o último pedaço de concreto. Agora, a mesma praça está sendo reconstruída no mesmíssimo local, mas adivinhem? Pelo Governo do Estado.

O que se vê em Araioses é uma gestão que se omite na infraestrutura básica, se apropria politicamente de convênios estaduais e federais, omitindo os créditos reais nas placas e nas abusivas propagandas institucionais. E deixa para trás o rastro de uma cidade que parece ter sido bombardeada. Resta saber até quando a população e os órgãos de controle assistirão passivamente a essa política de terra arrasada.

Deixe uma resposta